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28/06/12

Oscar Wilde, primeiro ícone pop

Você acha a Lady GaGa em sua “roupa de carne” a mais ousada das celebridades? Acha a estrela-divah-pop da Madonna muito inovadora por mostrar os “mamilos polêmicos” na nova turnê? Achava você, querido leitor, que o estilo Michael Jackson de se vestir era deveras autêntico? Então saiba que todas essas estrelas pop não fizeram nada de tão novo assim... Bem antes deles existiu no planeta Terra um cara que sacudiu os padrões hipócritas do período Vitoriano e se tornou o primeiro ícone pop de projeção mundial. Exatamente. Se na modernidade existem ou existiram (R.I.P. MJ!) celebridades excêntricas como Lady GaGa, Madonna, Michael Jackson e cia, muito antes existiu Oscar Wilde que deixa qualquer um deles no chinelo da excentricidade (opinião minha)!


Estudante dedicado da tradicional Universidade de Oxford, o jovem escritor irlandês logo se rendeu à vida social agitada do submundo inglês. Mais tarde, já consagrado, a sua extravagância foi tomando espaço cada vez maior em sua vida: vestia-se de muito veludo (cores quase fluorescentes!), com jóias douradas, noitadas regadas a absinto, sempre acompanhado de suas moças e rapazes e de um arsenal de máximas sobre “a vida, o universo e tudo mais”. Oscar Wilde tornou-se o que chamaríamos hoje de astro pop e não estou exagerando ao usar essa expressão. Para termos uma ideia da sua popularidade, o escritor de O Retrato de Dorian Gray saía em turnê pelo mundo fazendo conferências sobre suas obras. Em sua primeira vez nos EUA foi esperado no desembarque do navio por centenas de jornalistas e estudantes, alguns desses, inclusive, vestidos do mesmo modo excêntrico de Wilde. Qualquer semelhança com você, little monster, que está disposto a esperar sua diva com a cara amassada após horas de voo no aeroporto NÃO é mera coincidência!

Vale lembrar que tudo isso pode parecer leve para nós, mas Oscar Wilde fazia tudo isso na Era Vitoriana que possuía rígidas regras de conduta moral, e foi aí que a nossa estrela começou a entrar em decadência. Fazer “à louca” numa sociedade vitoriana na qual era crime se envolver em situações de prostituição, drogas e homossexualidade (Paris Hilton, Lindsay Lohan e coleguinhas eram santas perto dele! #NãoResisti) não era muito favorável para ninguém, muito menos para uma personalidade tida como influente. Após se apaixonar por um jovem, o Lord Douglas (ele até que era boy magia!), e viver esse amor, Wilde foi denunciado, julgado e condenado à prisão por ter pago pela companhia de um rapaz em Londres n'outra ocasião. Mesmo tendo a chance de fugir antes de ser preso não o fez por honra e acabou por cumprir a pena de dois anos de reclusão. Mesmo depois de sair da cadeia, o ídolo pop do século XIX tentou retomar a fama, mas com a saúde debilitada e na miséria, não resistiu e sucumbiu (Whitney feelings???).

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A tentativa desse post é de mostrar que num passado não muito distante existiu um escritor de obra consistente que abriu caminho para toda uma cultura que hoje faz parte de nossas vidas. Oscar Wilde esteve presente nas bases do Movimento Punk (final dos anos 70, começo dos 80) na Inglaterra, que, por sua vez, serviu de referência para muitos artistas que idolatramos hoje. Para terminar, você deve estar se perguntando: “Poxa! Estou “chatiado”, o cara era uma celebridade, viveu cercado de amigos, aprontou todas e acabou sozinho na miséria?”. Infelizmente sim. A pressão dos moralistas vitorianos era tanta que os familiares de Oscar Wilde foram obrigados, por proteção, a usar o sobrenome “Smith” após sua sentença. Até que nos anos 80, um tal de Morrisey (o próprio) entitulou sua banda de The Smiths em homenagem a “um certo escritor aí” que transgrediu todas as regras de conduta num período de forte repressão à chamada contra-cultura.
(E) Não era assim que se vestiam os vitorianos "comuns"! / (D) Oscar Wilde e Lord Douglas, o seu boy magia

Mari Martins

Sobre o autor

Mari Martins: Estudante de Letras, leitora voraz, cinéfila de carteirinha e completamente viciada em seriados de TV. (leia mais...)

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