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05/09/12

Meio Tom de Cinza, no máximo...

Sexo vende. Esse é o único motivo que encontro para o sucesso mundial de 50 Tons de Cinza (Intrínseca, 2012). Eu leio tudo o que possam imaginar, não tenho preconceito literário algum – de verdade – e por conta disso, é claro, que a minha curiosidade não ia se conter diante de todo o burburinho formado em torno desse livro da inglesa E. L. James. Quem?


"Pornô para mamães", "Romeu e Julieta para maiores" e por aí vai... Nenhum desses epítetos medonhos fez com que a minha curiosidade recuasse. Aqui estou eu.

Gentchy, analisa comigo: Anastasia Steele, jovem de 22 anos, virgem, conhece, em determinada situação, o executivo-lindo-bilionário-sexy-misterioso Christian Grey, a quem ela chama de Sr. Grey (captou trocadilho? Sr. Grey > Tons de Cinza > Shades of Grey). Ela que possui a auto-estima zero, é toda atrapalhada e fica atraída pelo magnata. Até aí tudo bem, porque até mesmo eu e você, querido leitor, nos sentiríamos atraídos pelo Sr. Grey, afinal ele é executivo-lindo-bilionário-sexy-misterioso. O que não entrou na minha cabeça até agora, e o motivo da coisa toda desmoronar, é o porquê do Christian se interessar pela Ana. Tentem me convencer nos comentários, estou com mente e coração abertos.

Enfim, uma forte atração une o dois e ele propõe um acordo de submissão para que a "ingênua" Anastacia (de 22 anos, repito) participe de jogos BDSM com ele. E a moçoila é tão inexperiente que precisa pesquisar no Google o significado de "submissão". Parou! Parou! Parou! Não preciso falar mais nada. T U D O nesse livro é inverossímil, não dá pra engolir. Tudo bem que a Srta. Steele é virgem, quanto a isso sem problemas, mas daí a não ter a menor noção do que seriam esses tais jogos de submissão do Sr. Grey? Hello, E. L. James!

Fora isso, o vocabulário da autora é pobre¹ (que tosquice aquela coisa toda de "deusa interior" que se repete a cada três linhas!), as cenas de sexo são jogadas sem mais nem menos na narrativa e o Sr. Grey executivo-lindo-bilionário-sexy-misterioso se interessa por aquela garotaaaa. (Sim, preciso fazer essa colocação novamente!)

Diante de tudo isso, só há uma coisa a dizer: Sexo vende!


O que deve ser dito a partir de agora é que você pode ler 50 Tons de Cinza, aqui ninguém é dono da verdade e você deve tirar suas próprias conclusões. Além disso, o personagem Sr. Grey tem tiradas hilárias e geniais, ele é tão "O Cara" – para não usar um termo de baixo calão e manter o nível que uma coluna literária exige –, que até eu assinava o tal acordo de submissão sem as neuroses da Anastasia Steele.

Boa Leitura e Boa Sorte! Mas vou deixar aqui a minha dica amiga: Se você deseja ler algo que tenha o tom exato de erotismo, sabe aqueles livros que deixamos na parte mais escondida da prateleira, que nos ensina umas coisinhas, que nos deixa ‘sem-graça’ quando estamos lendo e somos surpreendidos pelas avós? Não gaste o seu tempo precioso com o ‘50 Tons’. Vá ler os Contos do Marquês de Sade – foram deles que vieram as ideias do Sr.Grey, viu? –, apaixone-se pelo amante perfeito e vingativo, de O Conde de Monte Cristo, do Alexandre Dumas, Noite na Taverna, do Álvares de Azevedo e tantos outros que estão por aí aguardando os seus suspiros contidos.

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¹ A pobreza vocabular não está presente apenas na tradução para o português, tive o cuidado de conferir no original em inglês (50 Shades of Grey).

Mari Martins

Sobre o autor

Mari Martins: Estudante de Letras, leitora voraz, cinéfila de carteirinha e completamente viciada em seriados de TV. (leia mais...)

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